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Maria, José e o menino Jesus

Reflexão para o Domingo da Sagrada Família | 26 DEZ 2020 – Ano “B”

1ª Leitura Eclo 3,3-7.14-17a | Salmo: 127 | 2ª Leitura: Cl 3,12-21 | Evangelho: Lc 2,22-40

| MACAPA (AP) | Por Dom Pedro José Conti

Aproveito o Domingo da Sagrada Família para falar um pouco do Ano de São José que Papa Francisco proclamou no dia 8 de dezembro passado. Esse Ano se encerrará, justamente, no mesmo dia em 2021. A motivação é a recorrência dos 150 anos da Declaração de São José como Padroeiro da Igreja Católica feita pelo beato Pio IX no dia 8 de dezembro de 1870. Para nós da Diocese de Macapá é uma grande alegria, porque São José é também o “nosso” padroeiro. Vou começar, porém, pelo evangelho deste domingo. Maria, José e o menino Jesus nos são apresentados como uma família que cumpre “a Lei do Senhor” no que diz respeito aos primogênitos. Nada de especial ou algum privilégio. Somente as palavras dos dois idosos Simeão e Ana fazem a diferença. “O pai e a mãe” de Jesus ficam admirados com o que diziam a respeito dele, e Ana fala do menino “a todos que esperavam a libertação de Jerusalém”. Com isso temos, de um lado, a memória das promessas e a continuidade da fé num Deus comprometido com o seu povo, mas, ao mesmo tempo, a “salvação” será oferecida a todos e a criança é chamada não mais só “glória de Israel”, é proclamada também “luz das nações”. Essa é a grande novidade: o projeto de amor de Deus alcança, em Jesus Cristo, toda a humanidade.

A missão da Igreja nunca será cuidar somente do seu rebanho que não importa se é grande ou pequeno numericamente. O que vale é que um pouco da “luz” do Senhor chegue, de alguma forma, a todos. A Igreja não pode desistir de se interessar por toda a humanidade, não porque queira se meter em tudo ou ser a mais poderosa, mas porque acredita que Jesus Cristo tem uma proposta de Homem Novo, que pode mudar e dar sentido à existência de qualquer pessoa, além das raças, nacionalidades, tradições e crenças. A Igreja tem consciência de ter um “tesouro” de fé, de esperança e de amor que não pode segurar para si mesma, mas deve partilhá-lo, doá-lo, oferecê-lo sempre, mesmo quando essa Boa Notícia for desprezada, silenciada e os cristãos forem perseguidos e martirizados. “Ai de mim se não anunciar o Evangelho” diria São Paulo ( ), o apóstolo dos pagãos, dos estrangeiros, dos não judeus, dos diferentes.

A Igreja, porém, começou bem pequena. Logo pensamos nos Doze Apóstolos que Jesus escolheu e enviou pelo mundo, mas antes, algo menor que o número, muito grande no valor, já havia acontecido: a Sagrada Família. Os primeiros que acolheram Jesus foram Maria, sem dúvida alguma, e José, aquele que, misteriosamente, foi chamado a cuidar do Menino que “crescia e tornava-se forte, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava com ele” (Lc 2,40). Por tudo isso, São José, o santo humilde e silencioso, o sonhador que vence o medo, acredita e confia, é proclamado padroeiro de toda a Igreja. Porque o Povo de Deus a caminho na história sempre encontra perigos, dúvidas, pensa em desistir, mas sabe que deve confiar sempre e em qualquer situação no único Deus da Vida, no Pai de todos que não poupou o seu próprio Filho. A Igreja, família dos cristãos, sabe que também é “cuidada” de maneira especial por São José e estas são as primeiras palavras da Carta Apostólica do Papa Francisco sobre o Ano dele: “Com coração de pai: assim José amou Jesus, designado nos quatro Evangelhos como “o filho de José”

Temos mais novidades. É costume que a Igreja, nos Anos especiais ou Santos, ofereça aos fiéis a possibilidade da chamada Indulgência Plenária. Simplificando demais, podemos comparar a Indulgência a um “super perdão” para os “superpecadores”, que somos todos nós. Desta vez, além das condições exigidas (confissão sacramental, comunhão eucarística e oração segundo as intenções do Santo Padre), são oferecidas diversas oportunidades. Será possível conseguir a Indulgência Plenária meditando por 30 minutos sobre a oração do Pai Nosso ou participando de um Retiro Espiritual que tenha uma meditação sobre São José. Outra possibilidade: o cumprimento de uma obra de misericórdia corporal ou espiritual. Será concedida também a quem rezar o Terço em família ou entre namorados que se preparem ao matrimônio. Igualmente, trabalhadores e desempregados poderão invocar cotidianamente São José, exercendo a própria profissão ou saindo em busca de trabalho. Também poderá ser rezada a Ladainha de São José, em comunhão com os enfermos, os migrantes, os refugiados e todos os rejeitados e abandonados. Enfim, algumas datas serão mais apropriadas: o 19 de março e o 1º de maio; o Domingo da Sagrada Família; o 19 de cada mês e toda quarta-feira, dia da memória semanal de São José. A primeira ocasião, portanto, será neste domingo, ainda neste tempo de Natal.

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