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A pesquisa – Artigo de dom Pedro

Jesus Cristo, Rei – (Foto: Pixabay)

A pesquisa
Dom Pedro José Conti
Bispo de Macapá

Numa grande cidade, entre os moradores de um condomínio de 20 andares, foi espalhado um questionário com muitas perguntas. Devia servir para a prevenção de assaltos e roubos. A primeira pergunta era muito simples:

– Se o senhor ou a senhora ouvisse tocar a campainha do interfone da sua casa no meio da noite, o que faria? Todos responderam a mesma coisa:

– Me levantaria de má vontade e perguntaria: “Quem é?”.

– E se a voz respondesse: “Sou Jesus. Abra-me a porta, por favor”. O que diria o senhor ou a senhora? A resposta foi unânime:

– Não me amole, vá embora palhaço!

Evidentemente todos os moradores daquele palácio estavam convencidos de que aquela situação só podia ser uma brincadeira de mau gosto ou um truque para enganar as pessoas. Jesus nunca faria isso. No entanto se pensarmos na nossa verdadeira casa, no nosso coração, Jesus bate muitas vezes (Ap 3,20), a qualquer hora, e nos pede para deixá-lo entrar. Se abrir, algo novo e inusitado acontecerá: a mesa da nossa casa-coração será a mesa do “reino” com Jesus tomando “refeição” conosco, amorosamente. É bom que paremos para nos perguntar: o que quer dizer deixar entrar Jesus em nossa vida?

Talvez este seja o maior sentido da festa de Cristo Rei, que celebramos neste domingo. Uma festa, nada triunfal. O evangelho de Lucas nos apresenta Jesus no “trono” da cruz. A coroa é de espinhos (Mc15,17). Os zombadores o chamam de “rei”. Está escrito no letreiro. No diálogo com o ladrão, porém, fala-se de “reino”, algo que está prestes a acontecer – o hoje – e que é maravilhoso, é o “Paraíso”. Jesus faz uma grande promessa a quem o havia chamado pelo nome, que quer dizer “Deus salva”, e o tinha reconhecido diferente deles condenados pelos crimes cometidos. Ele era inocente, “não fez nada de mal”. Como é o “reino” de Jesus? Não é um lugar, mas uma situação de vida e, portanto, sem limites de tempo e de espaço. Uma meta, também, a ser alcançada por aqueles e aquelas que procuram praticar a única “lei” que nunca, ninguém poderá mudar, se queremos continuar a ser “humanos”, imagens do Deus vivo e verdadeiro: a lei do amor. Essa “lei”, é tão nova e revolucionária que os primeiros serão os últimos; quem quer ser grande deve tornar-se pequeno; quem quer ser o maior deve servir a todos; quem quer salvar a sua vida vai perde-la e quem quer juntar tesouros imperecíveis deve vender tudo e doá-los aos pobres. Tudo isso porque ele, Jesus, o Filho do Homem, “não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate para muitos (Mc 10,45).

A festa de Cristo Rei é a festa de um “reino” que começa como a menor semente, mas vai crescer; desaparece como o fermento misturado com a farinha de trigo; é uma rede lançada ao mar que apanha peixes bons e peixes ruins; um campo onde crescem o trigo e o joio até a separação no fim dos tempos. O “reino” de Jesus, evidentemente, não tem nada a ver com as nossas ambições de glória e poder, de sucesso e riquezas neste mundo, vai muito além disso, porque é “um reino eterno e universal: reino da verdade e da vida, reino da santidade e da graça, reino da justiça, do amor e da paz” (Prefácio de Cristo Rei). Esse “reino” não vai mudar nunca. Mudaria só se mudasse Nosso Senhor Jesus Cristo, morto e ressuscitado! Quem deve mudar de cabeça e sentimentos somos nós. Nós deveríamos desejar fazer parte do “reino” de Jesus, para estar com ele no “Paraíso”. O caminho para chegar é apertado e a porta para entrar é estreita (Mt 7,13-14). Precisa de conversão, mas não tem exclusões ou privilégios. Na festa do “reino”, tem lugar para pobre, aleijados, cegos e coxos (Lc 14,21), sofredores, ovelhas perdidas, filhos que já gastaram a sua parte da herança e filhos que devem ainda aprender a perdoar seus irmãos. No reino entrarão homens e mulheres que, mesmo sem saber que era Jesus, repartiram o pão com os famintos, deram água a quem estava com sede, visitaram e consolaram presos e doentes. Deram casa a quem estava ao relento, trabalho a quem mendigava, esperança a quem não queria mais viver. Onde está este “reino”? – No meio de vós – respondeu Jesus (Lc 17,21). Está em todo coração aberto para amar.

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