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Artigo de Dom Pedro: Assembleia Diocesana

A 23ª Assembleia da Diocese de Macapá

Dom Pedro José Conti
Bispo de Macapá

Neste final de semana, acontecerá, no Centro Diocesano, a 23ª Assembleia do Povo de Deus da Diocese de Macapá. Parece-me correto explicar um pouco o que faremos e o que esperamos aconteça. Todos sabem, mais ou menos, o que é uma assembleia. No nosso caso, como em tantos outros, não será com participação livre, porque seria impossível, mas por delegados das paróquias, comunidades, grupos e movimentos que atuam em nossa Igreja local. O importante é que todos os componentes do Povo de Deus sejam representados: o clero, os religiosos e religiosas e, sobretudo, os leigos. Esses, em número, são a grande maioria dos católicos. Os outros, bem poucos em proporção, estão a serviço deles. No entanto, é bom lembrar, somos Igreja e, portanto, não funcionamos como outras assembleias com maioria, minoria, partidos ou correntes. Trabalhamos com a luz da fé no Divino Pai Eterno, a fidelidade ao Evangelho de Jesus Cristo, o Filho, e o entusiasmo do Espírito Santo. Esperamos que a comunhão fraterna prevaleça sobre as legítimas opiniões diferentes, pessoais ou de grupo.

A palavra-chave, para começar, é “sinodalidade”, muito cara a Papa Francisco. Significa “caminhar juntos” porque assim devemos fazer para mostrar, exemplarmente, que se pode avançar unidos acolhendo as diversidades como dons e não como obstáculos. A comunhão, no entanto, é sempre algo em construção, por ser, em si mesma, o fruto do compromisso e da boa vontade de todos. A tentação de fazer diferente e se afastar dos demais é real. Quem quer correr, reclama da lentidão dos avanços. Quem desconfia das novidades, acha que repetir o que “sempre” foi feito seja a única solução. Difícil para todos é escutar os outros e vencer o desejo de aparecer ou de impor as próprias ideias.

A finalidade da Assembleia Diocesana é avaliar a situação da Igreja local e apontar caminhos e metas para os próximos quatro anos. Nesse sentido, seremos ajudados pelas novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE 2019-2023) aprovadas pela Conferência Nacional dos Bispos em maio deste ano. Na prática temos: uma realidade que merece atenção especial, uma imagem e um compromisso. A realidade é que o Brasil está se tornado, cada vez, mais urbano. Na própria Amazônia, entre o 70 e 80% da população mora nas grandes ou pequenas cidades. O “novo” desafio, portanto, é evangelizar esse povo sabendo que a mentalidade e o jeito da cidade já chegaram também no interior. A resposta ao consumismo, individualismo, indiferença e isolamento urbano deve ser encontrada na participação numa comunidade que saiba oferecer laços de amizade, senso de pertença e solidariedade.

Nesse sentido, ajuda-nos a imagem da Comunidade-Casa. Com efeito, toda casa-família deveria ser espaço de encontro e de ternura. Os pilares para o sustento da casa são os de sempre e de nenhum deles podemos abrir mão: a Palavra de Deus, o Pão da Eucaristia, a Caridade e a Ação Missionária. A Comunidade-Casa deve ser aberta para cativar as pessoas e saber acolhê-las quando se aproximam da Igreja. No entanto, como na casa, as portas e as janelas não servem só para a entrada das pessoas e do ar puro e renovador. Elas servem, também, para sair e mergulhar na realidade complexa e conflituosa da sociedade. Este é o desafio ao qual o Papa Francisco conclama todo batizado hoje: ser missionário, testemunha confiável do Evangelho de Jesus Cristo. Cada cristão, criança, jovem, adulto ou idoso encontra muitas outras pessoas ao longo de cada dia de sua vida. Vive na família, no trabalho, na escola, no lazer. Como todo ser humano, experimenta horas da alegria e horas do sofrimento, horas serenas da vida que passa e hora difíceis de escuridão, dúvidas e morte.

Ser missionário, não significa ser “pregador de esquina”, fazer discursos ou ter sempre respostas prontas. Significa estar no meio dos demais irmãos e irmãs, nas lutas da vida, sempre pronto a dar razão da própria fé, com humildade e paciência. Na Assembleia, teremos também o documento final do Sínodo Especial da Amazônia. Mais um compromisso com a Ecologia integral neste rincão bonito e único do planeta Terra.

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