Diocese de Macapá realiza 1ª Assembleia do Setor Família e debate desafios e esperanças das famílias amapaenses

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Encontro reuniu lideranças paroquiais, pastorais e movimentos para refletir sobre a realidade familiar na Amazônia e construir propostas para fortalecer a evangelização.

MACAPÁ (AP) – Por Jefferson Souza | Redação Pascom

Com o tema “As redes de afeto e os desafios emergentes: mapeando a realidade, as dores e as esperanças das famílias no contexto amapaense”, a Diocese de Macapá realizou, no último sábado (24/10) a 1ª Assembleia do Setor Família. O encontro aconteceu no Centro Diocesano de Pastoral Dom José Maritano, em Macapá, e reuniu lideranças paroquiais, representantes de pastorais, movimentos, organismos e serviços eclesiais com o objetivo de promover a escuta, o discernimento e o planejamento de ações voltadas à evangelização e ao fortalecimento das famílias.


A iniciativa representou um momento de reflexão e articulação da ação evangelizadora da Igreja junto às famílias, considerando as transformações sociais, culturais e econômicas que impactam a realidade familiar no estado do Amapá.


A programação contou com palestras, momentos de reflexão, trabalhos em grupo e plenária, proporcionando aos participantes a oportunidade de compartilhar experiências, identificar desafios e apresentar propostas para uma atuação pastoral mais integrada, acolhedora e próxima das diferentes realidades familiares.


Educação dos afetos

 

A palestra magna da Assembleia foi conduzida pela professora universitária Carmetila Martins, que abordou a importância do afeto, da acolhida e da construção de relacionamentos saudáveis no ambiente familiar.

Durante sua exposição, a educadora destacou a necessidade de uma ação pastoral fundamentada na escuta ativa, no acolhimento e no reconhecimento das famílias como protagonistas de sua própria história.


“É necessário escutar a família para poder, junto com a família, construir uma rede marcada pela presença do verdadeiro afeto à luz de Cristo”, destacou.


Segundo a professora, a atuação pastoral precisa ultrapassar a realização de atividades pontuais e assumir uma postura permanente de acompanhamento, considerando as necessidades, os desafios e as potencialidades de cada realidade familiar.


Outro aspecto abordado foi a crise de autoridade nas relações familiares, apontada pela palestrante como um dos desafios da sociedade contemporânea. Para ela, é necessário recuperar o papel educativo da família, fortalecer o respeito entre seus integrantes e estabelecer limites que contribuam para a convivência harmoniosa.


A professora ressaltou a importância de distinguir autoridade de autoritarismo, compreendendo que o exercício da autoridade familiar deve estar fundamentado no diálogo, no respeito e na responsabilidade.


Ao refletir sobre os caminhos para o trabalho pastoral, Carmetila enfatizou que as iniciativas de evangelização precisam partir do conhecimento concreto das realidades vividas pelas famílias.


“É entender que a família não é um objeto, ela é sujeito da própria ação”, afirmou.


Realidade das famílias

 

A realidade das famílias no contexto amazônico foi tema da palestra conduzida pelo diácono Davi Serrão, que apresentou uma reflexão sobre os desafios sociais e culturais enfrentados pelas famílias amapaenses, destacando também suas potencialidades e características próprias.

Durante a exposição, o diácono ressaltou que, apesar das dificuldades enfrentadas pelas famílias, a sociedade amazônica apresenta importantes fortalezas, entre elas a religiosidade, a capacidade de superação das adversidades e a participação ativa na vida comunitária e pastoral.


“Nós temos como ponto forte uma fé religiosa forte, enraizada na nossa identidade cultural”, destacou.


Segundo o diácono, a resiliência constitui uma característica marcante das famílias amazônicas, que, mesmo diante das dificuldades, demonstram capacidade de reorganização, solidariedade e manutenção dos vínculos comunitários.


Ele também chamou a atenção para a vitalidade pastoral presente nas comunidades e para a importância de fortalecer a integração entre as diferentes pastorais, movimentos e serviços da Igreja.


Nesse contexto, destacou a necessidade de construir uma rede de apoio e assistência às famílias, promovendo ações articuladas que contribuam para o acompanhamento das diferentes situações de vulnerabilidade e para o fortalecimento da vida familiar.


A reflexão apontou ainda para a importância de valorizar as características culturais e religiosas da população amazônica como elementos fundamentais na construção de propostas pastorais adequadas à realidade local.


Trabalhos em grupo

Na segunda parte da manhã, os participantes foram organizados em grupos de trabalho para aprofundar as reflexões apresentadas durante as palestras e compartilhar experiências relacionadas à realidade das famílias em suas comunidades.


A atividade proporcionou um espaço de escuta e diálogo, no qual representantes das paróquias, pastorais e movimentos puderam apresentar percepções sobre os principais desafios enfrentados pelas famílias, bem como identificar oportunidades para fortalecer o trabalho evangelizador.


As discussões buscaram reconhecer as diferentes configurações e situações familiares presentes na sociedade amapaense, considerando aspectos relacionados à convivência, à educação, à espiritualidade, à participação comunitária e às necessidades de acompanhamento pastoral.


Após os trabalhos em grupo, foi realizada uma plenária para socialização das reflexões e propostas apresentadas. O momento permitiu reunir contribuições dos participantes e identificar pontos comuns que poderão orientar o planejamento das ações do Setor Família da Diocese de Macapá.


A metodologia participativa reforçou a proposta da Assembleia de construir caminhos pastorais a partir da escuta das próprias comunidades, reconhecendo as famílias não apenas como destinatárias da evangelização, mas também como protagonistas da missão da Igreja.

Dom Antônio de Assis Ribeiro, bispo da Diocese de Macapá, também participou da Assembleia. 

Aos participantes o bispo diocesano destacou as principais urgências para a atuação do Setor Família como ações missionárias, atenção às famílias em áreas de vulnerabilidade ou com pouca presença da Igreja local.

Aos participantes o bispo diocesano destacou as principais urgências para a atuação do Setor Família como ações missionárias, atenção às famílias em áreas de vunerabilidade ou com pouca presença da Igreja local.

Ao final Dom Antônio acompanhou e orientou a construção da carta compromisso do evento com as diretrizes para o planejamento do Setor Família e celebrou a eucaristia.

O encontro evidenciou a necessidade de ampliar a articulação entre as comunidades e os organismos pastorais, buscando respostas conjuntas aos desafios identificados e valorizando as experiências já desenvolvidas nas paróquias e áreas missionárias.

A proposta é que as reflexões e contribuições apresentadas durante a Assembleia sirvam de referência para o planejamento de iniciativas que fortaleçam a acolhida, a formação, a espiritualidade e o acompanhamento das famílias, respeitando as particularidades sociais e culturais da realidade amazônica.

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(26/10/2026)