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Artigo de Dom Pedro: Os olhos



Os olhos

 

                       Dom Pedro José Conti

Bispo de Macapá

 

Ao anoitecer da sexta-feira, dois garimpeiros descobriram uma mina de diamantes. Não havia tempo útil para explorar a riqueza e, por isso, decidiram correr o risco de deixar tudo para segunda-feira. Eles juraram, um ao outro, segredo absoluto. Nada contariam a ninguém. Nem às esposas, nem aos filhos, nem a amigo algum. Deixaram mesmo de ir aos bares para não soltar alguma palavra indevida. O fim de semana foi terrível. Não podiam confiar a ninguém o seu maravilhoso segredo, que os faria felizes para sempre. Finalmente, amanheceu a sonhada segunda-feira. Quando chegaram ao garimpo, perceberam que todos vigiavam os seus passos. Será que um deles teria contado? Não, ninguém tinha falado. Então, ansiosos, perguntaram aos outros garimpeiros o que estavam querendo. A resposta foi:

- Vamos explorar a mina junto com vocês.

Como descobriram o segredo?

- Nós lemos nos olhos de vocês – disseram os outros.

 Há segredos que é impossível ocultar, um deles é o amor que encanta as almas e... os olhos.

No segundo domingo de Advento, encontramos a pregação de João Batista. Ele é o mensageiro enviado à frente do Senhor para preparar-lhe o caminho. Faz isso com as palavras e um banho de penitência e purificação nas águas do Rio Jordão. São muitos os que vão ao seu encontro, confessando os seus pecados, querendo mudar de vida. Ele, porém, aponta outro maior e mais forte, que virá e que “batizará” com o Espírito Santo.

É nessa altura que precisamos esclarecer um possível equívoco de nossa parte. Reviver à espera do Salvador e nos preparar para o Natal, não significa partir do nada. O convite à “conversão”, que ecoa nas palavras de João Batista, não é bem o início de algo que antes não existia. Sem dúvida, pode ser que isso seja verdade para alguns que estão no começo da vida cristã, ou no caminho rumo ao batismo, itinerário que hoje voltamos a chamar, como nos primeiros tempos da Igreja, de “catecumenato”. Para a maioria dos cristãos, porém, o batismo remonta à primeira infância e, talvez, ficou por lá mesmo, esquecido ou abandonado. O verdadeiro começo de tudo, foi naquele único batismo, uma vez por todas, irrepetível. O que a Igreja nos convida a fazer, portanto, não é pedir o batismo outra vez. O nosso foi bem mais do que um batismo “de penitência”, algo que possamos repetir todas as vezes que sentimos vontade. Então, o que devemos fazer?

Qualquer tempo de “conversão e perdão dos pecados” – como o tempo de Advento – deve servir para recuperar o brilho do nosso único batismo. Naquele dia, a nossa pobre existência, limitada e sempre pronta aos desvios do rumo certo – esses são os nossos pecados – foi unida para sempre à vida divina do Pai, do Filho e do Espírito Santo.  Essa foi a riqueza inestimável, a fonte de vida, a luz, que nos foi doada naquele dia. Por causa da condição de cristãos, nós deveríamos ser tão felizes que perder esta riqueza, esta fonte e esta luz seria cair na escuridão, na secura e na maior de todas as misérias. Evidentemente, só entende o que estou dizendo quem já descobriu e acredita que ser cristão, ter encontrado e conhecido Jesus Cristo, o Pai Eterno e o Divino Espírito Santo é o verdadeiro sentido da nossa vida, o tesouro que nunca deveríamos desprezar e perder. Para nós, esperar com alegria o Natal é muito mais que aguardar algum presente pendurado numa árvore de mentira, cheia de pisca-pisca. Este momento que, me entendam bem, não deve ser desprezado nas nossas famílias, pode ser somente uma bem humilde antecipação de um dom infinitamente mais valioso e imperecível: o amor do próprio Deus, a sua Vida plena e feliz. Se um simples embrulho a ser aberto nos dá tanta emoção, o que acontecerá no dia que encontraremos o Senhor face a face? Ainda não sabemos, mas será algo que nem palavras poderão expressar (2Cor 12,2-4). 

Apesar do esforço, os dois garimpeiros não conseguiram disfarçar a alegria de ter encontrado os diamantes. Dava para ler isto nos seus olhos. Pelo jeito, parece que muitos cristãos já esqueceram da festa do seu batismo. Mas nunca é tarde para voltar a anunciar a alegria da nossa fé, também, pelo brilho dos nossos olhos. 


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