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Ano dos leigos e das leigas

Artigo de Dom Pedro: A alma e o corpo

05.11.2017


11/11/2017

Artigo de Dom Pedro: Ainda há muito tempo



‘Ainda há muito tempo’

Dom Pedro José Conti

Bispo de Macapá

 

Certa vez, um rei organizou esplêndido festim. Para a alegre e feliz reunião convidou muitos dos seus súditos, mas não assinalou a hora em que deviam comparecer. Os mais perspicazes e previdentes vestiram, desde logo, seus trajes finos, adornaram-se com suas joias de maior realce e aguardaram pacientes o momento em que deviam ser recebidos no palácio do príncipe. Os tontos pensavam: - Ainda há muito tempo -, e se entregavam descuidados a seus insensatos caprichos. De improviso, soou a hora do festim e uns e os outros correram para a régia morada. O príncipe avistou os precavidos, que estavam decentemente vestidos e preparados, e os recebeu com alegria. Atentou, irritado, nos tontos, indecorosos e desasseados, e os expulsou de sua presença.

Essa história está no Talmude, livro dos judeus de explicação e comentário às Sagradas Escrituras. É fácil conferir a semelhança com a parábola de Jesus que encontramos no evangelho deste domingo. Na parábola, porém, as personagens são dez moças, cinco previdentes e cinco imprevidentes. Na espera do noivo, para entrar na festa do casamento, todas dormiram. As lâmpadas se apagaram. Quando o noivo chegou, somente as previdentes, que tinham trazido óleo de reserva, conseguiram acender novamente as lâmpadas e, assim, entrar na festa do casamento. A porta fechou e as imprevidentes, que tinham ido comprar o óleo, ficaram de fora.

Estamos nos últimos domingos do ano litúrgico e também concluindo a leitura do evangelho de Mateus. Jesus tinha prometido voltar, mas não disse quando. Nos evangelhos ficaram maneiras diferentes de entender a volta do Senhor. Alguns o aguardavam num curto prazo de tempo e interpretaram a destruição do Templo de Jerusalém como o sinal da brevidade deste tempo. Outros, com o passar dos anos, a morte dos apóstolos e dos seus imediatos sucessores, começaram a entender que as palavras de Jesus, mais que marcar uma data, indicavam a maneira de esperar o encontro com ele. Devia ser uma espera vigilante, atenta e ativa. Não seria um simples transcorrer do tempo.

A vida passa para todos. O fim dela é algo inevitável, não depende da nossa vontade. O que está ao nosso alcance, portanto, não são os prazos e nem a possibilidade de parar o tempo. O que nos cabe é decidir como gastar o tempo da nossa passagem neste mundo. Podemos passar os anos “dormindo” ou na ilusão de ter sempre muito tempo à nossa frente, ou... é aqui que se propõe a mensagem de Jesus. A vida é algo que não pedimos, mas também não é um castigo ou um destino pré-fixado fora do nosso alcance. A vida, apesar de toda a sua complexidade, é a possibilidade que temos de fazer algo, que tenha um sentido para nós e, possivelmente, também para aqueles que as circunstâncias nos fizerem encontrar. Tem sempre uma “chama” que pode dar sentido à vida, em qualquer lugar e em qualquer situação, é a chama do amor. O segredo, porém, é manter essa chama acesa, dando amor, mais do que o recebendo, oferecendo alegria, mais do que a cobrando dos outros. Mas, se a chama do amor se mantém viva somente se for comunicada, por que, na parábola do evangelho, as moças previdentes não partilharam o óleo com as imprevidentes? Talvez seja por que cada uma e cada um de nós tem a sua parte de amor para dar e somente serve se a pessoa decide como usar esse tesouro.

Na infância, todos recebemos afeto, carinho e proteção. Depois, já no tempo da juventude, a nós é dada a possibilidade de tomar consciência do valor do amor e do sentido da vida. Podemos gastar muitas energias somente conosco, para aproveitar das forças que nos parecem inesgotáveis. Mas podemos, também, administrar bem esse enorme potencial de amor. Podemos decidir como e com quem fazer algo de bom, de útil, como tornar a vida mais bonita e feliz para tantos outros. Podemos, enfim, todo dia aprender a amar. Também com os cabelos brancos. A chama não acabará. Mas será sempre algo muito pessoal, porque o tempo da vida e a capacidade de amar serão sempre e somente nossos, únicos, intransferíveis. 


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