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Terça-Feira, 21 de novembro de 2017.


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Diocese de Macapá se prepara para a abertura do Ano Nacional do Laicato

Ano dos leigos e das leigas

Artigo de Dom Pedro: A alma e o corpo

05.11.2017


13/05/2017

Artigo de Dom Pedro: As árvores



As árvores

O avô passeava dando a mão ao netinho. Indicava as árvores e contava que nada era mais bonito de uma árvore. Dizia: - Olha como as arvores trabalham! - Mas, vô, o que é que elas fazem? - - Elas mantem a terra ligada ao céu. É algo muito difícil. Repare este tronco; parece uma corda, tem muitos nós. Aos dois extremos os fios se dividem e se abrem para unir a terra ao céu. Os de baixo são chamados de raízes e os do alto de ramos. As raízes abrem o caminho no chão e os ramos no céu. Para ambos é um duro trabalho. - Mas, vô – disse o netinho – deve ser mais difícil abrir o caminho na terra que no céu. - - Não é não – continuou o avô – porque se fosse assim os ramos seriam bem retos. Veja como eles também são tortos e deformados pelo esforço. Buscam muito e se cansam. Trabalham mais do que as raízes. - - Mas quem é que os obriga a tanta fadiga? – insistiu o neto. – É o vento – respondeu o avô – ele gostaria de separar a terra do céu, mas as arvores não desistem e crescem. Por enquanto são elas que estão ganhando.-

No evangelho deste quinto domingo de Páscoa, Jesus se apresenta como “caminho, verdade e vida”. São palavras muito conhecidas e repetidas. No entanto, nunca deixam de ser desafiadoras; ao menos, para quem ainda busca entender e decidir em qual direção quer orientar a sua vida. Jesus diz que ele mesmo é o único caminho verdadeiro para o encontro com o Pai. Não tem outro. Se queremos encontrar aquele Deus Pai que Jesus veio nos fazer conhecer precisamos confiar nos gestos e nas palavras dele. Se seguirmos outro caminho, talvez mais fácil, mais cômodo, mas conveniente ou mais “moderno”, podemos até imaginar de ter encontrado “deus”, mas não será o Pai de Jesus.

Ao longo da história humana muitos se apresentaram como “deuses” e ainda hoje inúmeros são os “deuses” adorados de tantas formas. Todos eles, sempre, vão ter adeptos e simpatizantes. Também porque tantas pessoas acabam simplesmente idolatrando a si mesmas e a mais ninguém. Procurar um sentido grande para a nossa vida é, e sempre será, um trabalho árduo e arriscado. Em geral é muito mais fácil acompanhar os outros. Ser minoria, fazer diferente de “todos” os demais, é difícil. No entanto, nos questionar sobre as razões do nosso agir é o mínimo que deveríamos fazer para não desistir de usar de nossa liberdade. Custa esforço, mas é gratificante pensar e decidir com a nossa cabeça e o nosso coração, alegres pela busca e as metas alcançadas.

Nem a religião escapa da nossa responsabilidade. Com efeito, realizar alguma prática religiosa é, para muitos, o que resta de uma tradição familiar, um costume adquirido ao longo de anos. Temos medo de admitir que Deus seja um grande desconhecido para nós e, por isso, que Ele em nada, ou quase, influencie a nossa vida. Ter fé é muito diferente. Deus se torna familiar. Começa a habitar em nossa vida, companheiro de caminhada. Um Pai – amigo, tão íntimo, que mexe com tudo o que é nosso também: família, trabalho, palavra dada, seriedade e honestidade. A comparação da nossa existência humana com um “caminho” é antiga e muito fácil de se compreender. O difícil, entendemos, é acertar a meta do caminho. Sabemos de onde partimos, mas não sabemos para onde vamos. Podemos dar voltas e mais voltas, acordar, um dia, de mãos talvez cheias de dinheiro, mas vazias de afetos e valores. Ricos, talvez, de bens materiais, mas sem ter amado ninguém, sem ter reparado a fadiga dos outros, ser ter nunca abraçado os companheiros de viagem que cruzam nossa vida. O que deixaremos para trás, também, será a prova daquilo que teremos adorado e idolatrado a vida toda. Mais uma vez, Jesus se propõe como “caminho, verdade e vida”. Basta confiar nele, segui-lo, fazer o que ele nos disser. Será um caminho em subida, fadigoso, sofrido, mas a meta é o céu, Deus Pai, a vida plena. Unir a terra ao céu, não é nada fácil. Sobretudo para quem não desiste de olhar para cima. Como os ramos tortos da historinha. Por enquanto eles estão ganhando. E o vento? Bom, tem um “vento” que ajuda e se chama Espírito Santo. O encontraremos nas próximas semanas.                         

Dom Pedro José Conti, bispo de Macapá

 

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