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Igrejas Católicas de Santana realizam 7° Encontrão dos Coroinhas

Diocese de Macapá se prepara para a abertura do Ano Nacional do Laicato

Ano dos leigos e das leigas

Artigo de Dom Pedro: A alma e o corpo

05.11.2017


Círio de Nazaré



 

Círio em Macapá

Pesquisa e texto: Edgar Rodrigues

A primeira procissão do Cirio de Nazaré realizada em nossa cidade aconteceu em 4 de novembro de 1934, quando as religiosas da Congregação das Filhas do Coração Imaculado de Maria, ao  comando da senhora Ester Benoniel Levy, esposa do então intendente major Moisés Eliezer Levy, resolveram organizar a festa em Macapá. Apesar da cidade já ter seu padroeiro, São José, cuja festa é realizada todo dia 19 de março, a concentração de romeiros do Círio de Nazaré em Macapá consegue ultrapassar, em volume de massa, os penitentes do próprio padroeiro São José, crescendo a cada ano o número de fiéis. Isso aconteceu depois da criação do Território do Amapá.

A trasladação da festa foi realizada no sábado, 03 de novembro; a imagem saiu às 20h30 da residência da família Serra e Silva, com o seguinte itinerário:  Travessa ‘José Serafim’, hoje Travessa Rio Branco (Largo dos Inocentes, área atrás da Igreja de S. José), Rua Siqueira Campos (atual Mário Cruz), dobrando à direita da Rua Souza Franco, pegando depois a Av.Amazonas, chamada pelo povo de Rua da Praia, em direção à casa de Cesário dos Reis Cavalcante e de sua esposa, Odete Goés Cavalcante, onde foi montada uma singela ermida, que acolheu a imagem até o dia seguinte.

No dia 4 de novembro, às seis da manhã, a população começou a se aglutinar em frente à casa onde estava  imagem. O padre Filipe Blanc, vigário de Macapá, foi quem acompanhou a procissão, seguido  do interventor do Pará Magalhães Barata, deputados do Pará Abel Chermont e Clementino de Almeida Lisboa, o prefeito Moisés Eliezer Levy, o médico e professor Acelino de Leão, o juiz de Direito João Gualberto Cruz, o tenente-coronel Jovino Dinoá, que era coletor federal e fundador do jornal Correio de Macapá, o comerciante e ex-prefeito Clodóvio Coelho, o segundo faroleiro de Macapá José Maria de Santana, o comerciante Vicente Ventura, o politico Secundino Campos.

Como a matriz de São José não possuia imagem da santa de Nazaré, o vigário solicitou a única existente na cidade, que pertencia à tradicional família Serra e Silva. Daí o Círio ter saído solenemente desta casa. Como berlinda foi usado um velho automóvel, devidamente adaptado.

A primeira romaria teve a presença destas autoridades e família, seguidos de um pequeno cortejo formado de 60 cavaleiros armados de lanças que, com clarins e fanfarras, anunciavam à população a passagem da procissão. Em seguida vinha o anjo Custódio, imagem colocada sobre o dorso de um boi manso chamado Beleza, seguido de uma corte da anjinhos, ricamente trajados. No primeiro Carro dos Milagres havia uma reprodução da imagem da Virgem, que salvou a vida de Fuás Roupinho (Veja a seguir, na história do Cirio no Pará).

Durante o percurso, uma pequena banda de música tocava hinos em louvor a Nossa Senhora. No fim da procissão houve uma missa e depois um leilão, repetido na sgunda-feira (5), pela manhã. A festa durou apenas oito dias, com terços, ladainhas e cânticos. No arraial havia brincadeiras diversas, vendas de produtos da região e comidas típicas.

O dia 5 de novembro foi dedicado a São José. Historicamente tem-se 05 de novembro de 1934 como realização da primeira romaria do padroeiro, que é festejado no dia 19 de março. No dia 11, domingo, houve missa e Te Deum. À noite procissão em redor da Praça Capitão Assis de Vasconcellos (Veiga Cabral).

O recírio foi realizado na segunda-feira, 12, com a imagem retornando à casa da família Serra e Silva.

No Cirio de 1937 a comunidade financiou a compra de outra imagem, colocando-a sob a guarda do padre Blanc. A compra foi feita em Belém, de onde veio também a berlinda.

No Estado ele segue a tradição do Pará, sendo realizada a festa sempre no segundo domingo de outubro.  Apesar do grande numero de romeiros em Macapá, o Cirio é uma festa de paraenses. A presença da Virgem andando pelas ruas de Macapá  nesse periodo é justificável historicamente. É que Macapá pertencia, juntamente com Mazagão, ao Estado do Pará até 1943, quando foi criado o Território Federal do Amapá.

A confecção da indumentária da santa foi, por alguns anos, obra de uma devota fiel, de nome Raimunda Mendes Coutinho, educadora da fase territorial do Amapá, já falecida,  conhecida popularmente como dona Guita. Mas a exemplo das religiosas da congregação fundada pelo padre Julio Maria Lombaerde, várias outras congregações como religiosas de Maria Menina (Bartoloméa) não mediram esforços para que a maior festa religiosa do Estado tivesse, ao longo dos tempos, um colorido maior.

 

 

HISTÓRICO DA DEVOÇÃO À NOSSA SENHORA DE NAZARÉ

1 - EM PORTUGAL

A devoção à Nossa Senhora de Nazaré vem de Portugal trazida ao norte do Brasil pelos Padres Jesuítas da Vigia. Daí passou a Belém. A Sagrada Imagem da Virgem Maria, pequena e de cor amorenada, é representada com o Menino Jesus nos braços. Ela foi levada na cidade de Maria, Nazaré (de onde o nome à Virgem). O monge Ciríaco foi que, chegando a Belém de Judá, entregou a estatuinha a São Jerônimo, e este a S. Agostinho. Este santo da África remeteu o precioso depósito para o Mosteiro de Caulina, na Espanha onde ficou venerada até o ano 712. Em 712 os Mouros invadiram a Espanha e o último rei godo Rudérico, acompanhdo pelo Abade da Caulina, Romano, fugiu para Portugal levando a Imagem de Nossa Senhora de Nazaré que o Monge escondera na ermida do Sítio do Monte Siano.

Só em 1179 uns pastores encontraram casualmente a estátua. Reinava Afonso Henrique.

A imagem de Nossa Senhora começou a ser conhecida o venerada. D. Fuás Roupinho, irmão do rei, escolheu o Sítio do Monte Siano, como lugar predileto de passeio e de caça. Na manhã de 14 de setembro de 182, D. Fuás, no iminente perigo de precipitar-se com o cavalo num enorme abismo, enquanto em vertiginosa carreira caçava um belo veado, rápido invocou a Virgem de Nazaré, e o cavala, como se uma força desconhecida o tivesse arrancado do vácuo, rodou sobre as pernas traseiras e parou. Dom Fuás, capacitando-se de que a sua salvação fôra obra da Virgem, mandou erguer-lhe uma Igreja no lugar do Sítio, que em lembrança do Mílagre, se chamou Capela da Memória. Lá ficou a Imagem de Nossa Senhora de Nazaré. D. Fernando de Portugal em 1377 mandou construir um templo maior, onde cada 14 de setembro se reúnem os maiores e mais brilhantes Círios de Portugal. A Devoção à Nossa Senhora de Nazaré, do Portugal passou ao Pará; e aqui, foi de tal forma aclimatada, que se tornou especificamente amazonense.

2 - EM BELÉM

Era o fim do ano 1700.

 

Plácido, simples caboclo, pouco longe de sua choupana, a poucos passos ao sul da estrada do Maranhão, na estrada do Utinga, encontrou, à margem de um igarapé, a Imagem de Nossa Senhora de Nazaré, de madeira, de 28 centímetros, cópia daquela venerada em Vigia e na Capela da Memória, em Portugal. Talvez a Imagem foi esquecida por um romeiro de volta de Vigia, no ponto em que Plácido a descobriu; pois ali era o ponto dos viajantes beberem água. A choupana de Plácido estava localizada mais ou menos ao ângulo interno do passeio do Largo de Nazaré, próximo ao Quartel. A choupana de Plácido, levantada no meio da mata, no ponto de água, era procurada como pousada na estrada do Maranhão e, por isso, muitas pessoas conheciam a Imagen, que principiou a receber cera e outros donativos. Aumentando a visita dos viajantes à Sagrada Imagem, Plácido com a ajuda do amigo Antonio Agostinho construiu uma Ermida de palha, abrindo na frente um grande quadrilátero limpo que compreendia o Largo de hoje, o terreno da Basílica e da casa dos Padres e parte do terreno do Quartel até o Igarapé das pedras ou da Santa.

De 1730 à 1774 Antônio Agostinho construiu uma Ermida um pouco maior, de taipa, coberta de palha e caiada de dentro e de fora, no ponto onde agora está o monumento a Pe. Afonso Di Giorgio, de frente para a Basílica.

 

PRIMEIRO CIRIO EM MACAPÁ

A Festa de Nossa Senhora de Nazaré foi realizada no ano de 1934, quando Macapá ainda pertencia ao Estado do Pará, e foi idealizada pelo entusiasmo do Senhor Major Eliezer Levy, Prefeito Municipal da cidade que juntamente com outras pessoas macapaenses como: José Santana, Martinho Borges da Fonseca, Cesário dos Reis Cavalcante, Manoel Eudóxio Pereira, Sophia Mendes Coutinho, Ernestina Santana, Rita Cavalcante e Tereza Serra e Silva, organizaram, e levaram em frente a feliz idéia e assim, deu-se a realização do primeiro "Círio" de Nazaré em 06 de novembro de 1934, e que, apesar das dificuldades da época, o mesmo revestiu-se de grande beleza. A transladação noturna da imagem de Nazaré, na véspera do Círio, saiu da Igreja de São José, para a residência do Senhor Cesário dos Reis Cavalcante, localizada na chamada "Rua da Praia", hoje, Avenida Amazonas, e dessa novamente, para a Matriz de São José. O cortejo do Círio foi pequeno, porém, bem organizado; na frente um esquadrão de vinte (20) cavaleiros, logo em seguida anjos conduzindo as bandeiras do Brasil e da Igreja, continuando o carro dos anjos e o "Escaler" da Marujada, rememorando um dos milagres da Virgem.
Finalmente a Berlinda levando a Imagem da Virgem de Nazaré.

Era Vigário o Reverendo Padre FELLIPE BLANCK, que contribuiu plenamente do lº Círio de Nazaré, em Macapá.
Para os festejos de Nazaré foram contratadas bandas de músicas das cidades de Vigia, Curuçá e Afuá. Após a criação do Território a banda de música passou a ser da Guarda Territorial.
Foram então realizados, até 1983, 49 Círios.

O Círio deste ano, 1984, será portanto o 50 ou quinquagésimo, o seu "JUBILEU DE OURO".

 

INÍCIO DA TRADIÇÃO

PORTUGAL

A fé vence a perseguição e forja a unidade da Igreja

Até chegar ao Pará, a devoção à Virgem de Nazaré enfrentou a perseguição dos hereges, atravessou continentes e sobreviveu a guerras, constituindo-se em símbolo de fé e unidade dos cristãos nos primeiros tempos de organização da Igreja.

A tradição sugere que a pequena imagem esculpida em madeira, de tez amorenada, sustentando o Menino nos braços, foi feita pelo próprio São José, na presença da Virgem Maria. Por isso ela foi chamada "de Nazaré".

 

A imagem teria sido levada à Belém de Judá pelo monge Ciríaco, que fugia à perseguição empreendida contra os que professavam a fé em Cristo. Em Belém, o monge deu a imagem a São Jerônimo, junto com algumas relíquias que pertenceram a São Bartolomeu e São Brás.

 

Como fosse perigoso manter as relíquias na Palestina, por causa do combate feroz a tudo que se referia ao cristianismo, Jerônimo achou por bem entregá-las a Santo Agostinho, que pregava na África, que de lá as enviou ao Mosteiro de Cauliana, às margens do Rio Gaudiano, na Espanha, marcando o ingresso da imagem da Mãe de Deus na Península Ibérica, por volta de 430.

 

A imagem teve que ser retirada da Espanha três séculos depois por causa da ocupação dos exércitos muçulmanos. Ela foi conduzida para Portugal pelo monge Romano e por Dom Rodrigo, o último rei visigodo, derrotado pelos muçulmanos na Batalha de Guadalete.

Para fugir à morte, Dom Rodrigo fugiu inicialmente a cavalo e, depois, a pé, disfarçado de pastor. Muito ferido, chegou ao Mosteiro de Cauliana, onde orou estirado ao chão, antes de desmaiar sem forças.

Dom Rodrigo foi socorrido pelo monge Romano, o único que permaneceu no Mosteiro após a fuga dos demais, para escapar à fúria dos mouros muçulmanos.

Sem reino, mas com a fé inabalada, Dom Rodrigo propõe ao monge a fuga para Portugal, para colocar a salvo as próprias vidas, além da imagem da Virgem de Nazaré e das relíquias de São Bartolomeu e São Brás. Para o abade Romano, era hora de dizer adeus ao Mosteiro onde florescera três séculos de devoção nazarena.

 

Os peregrinos caminham durante 21 dias e, finalmente, de sobre uma serra avistam o mar, no local onde se encontra hoje a Vila de Pederneira, na Extremadura Portuguesa, sobre a Planície de Valadó, onde se destaca o Pico São Bartolomeu, à beira-mar, em cujo ponto culminante se assentava o Sítio.

No topo, em São Bartolomeu, a 1.800 metros de onde está hoje a Pederneira, os dois peregrinos encontraram uma ermida, com um crucifixo e uma cova rasa, sem inscrição alguma. Ali, eles agasalharam em segurança a imagem da Virgem de Nazaré e as relíquias sagradas, enquanto buscavam refúgio.

Dom Rodrigo ficou no Pico São Bartolomeu e o monge Romano ocupou o Sítio, mais acima, onde encontrou uma gruta escavada no penedo e ergueu paredes de pedra para guardar a imagem e as relíquias, além de um pergaminho com o relato da fuga do Mosteiro de Cauliana.

Os dois permaneceram nesses locais por cinco anos, comunicando-se através de fogueiras acesas no final dás tardes. Em 23 de março de 716, a fogueira do abade Romano não foi acesa. Era o sinal, o monge morrera. Dom Rodrigo sepultou o amigo e companheiro de fé sob a lapa onde estava a Senhora e partiu para um convento em São Miguel de Fetal sem saber onde o abade havia escondido a imagem da Virgem de Nazaré e as relíquias dos santos.

Só depois de 400 anos, em 1179, é que a imagem foi descoberta, casualmente, por alguns pastores, no Sítio, em São Bartolomeu, durante o reinado de Afonso Henrique. A notícia correu longe, atraindo fiéis de todas as regiões de Portugal. Entre eles, Dom Fuas Roupinho, fidalgo e braço direito de El Rei, alcaide de Porto de Mós e Coimbra, que transformou a lapa do Sítio em local de peregrinação e oração.

 

Dom Fuas é um vencedor. Foi ele quem varreu da costa lusa os piratas que agiam de Lisboa a Setúbal. Seus êxitos estão imortalizados no grande poema épico português, Os Lusíadas, de Camões. É este herói português que a invocação do nome da Virgem salva da morte certa, que já o precipitava no despenhadeiro durante uma caçada. O fato se deu na manhã de 14 de setembro de 1182. Manhã enevoada, os cachorros rastreavam um veado, que fugia em disparada perseguido a galope por Dom Fuas Roupinho. De repente, o abismo se abre à frente do cavaleiro e traga o veado por cerca de 400 metros até o oceano. Ao grito de "valei-me Nossa Senhora de Nazaré", o cavalo de Dom Fuas Roupinho volteia com violência sobre os cascos traseiros, evitando a queda no abismo e a morte do fidalgo.

Ele manda vir pedreiros da Leiria e de Porto de Mós para construir no local um templo sobre a lapa, conhecido como Capela da Memória. Durante a construção, os operários encontraram a imagem da Virgem de Nazaré e as relíquias de São Bartolomeu e São Brás, guardadas pelo abade Romano, juntamente com o pergaminho que relatava a fuga do Mosteiro de Cauliana.

Na capela, Dom Fuas Roupinho ergue um altar para a imagem da Virgem de Nazaré e reserva espaço para as imagens de São Bartolomeu e São Brás e para as figuras de Dom Rodrigo e do abade Romano, eternizando dessa forma esta saga de fé e devoção que atravessa os séculos e confirma no amor à Virgem figuras ilustres e históricas, como Vasco da Gama, que esteve no Sítio em 1497, antes da aventura no Cabo das Tormentas, e trocou o seu cordão de ouro por um colar de contas de Nossa Senhora, que atirou às ondas, conseguindo que o mar amainasse e a armada chegasse em segurança a Calcutá.

 

São Francisco Xavier também esteve na Capela da Memória, antes de ir evangelizar a India e o Japão, bem como reis e rainhas da corte portuguesa. Mas a maioria dos visitantes eram desvalidos, gente do povo, pobres, doentes, pés descalços, joelhos atados a pesos, em sacrifício e oração a Deus e em devoção à Virgem de Nazaré. Deixavam sempre dinheiro, ouro, prata, incenso, azeite, paramentos, toalhas, pinturas, artefatos de cera, círios e outras ofertas que atestavam a sinceridade e a pureza da devoção, uma das mais populares do cristianismo, cuja tradição atravessa os séculos e os continentes, resiste a perseguições e permanece íntegra, como sinal da graça e da comunhão de Deus com que os homens através Daquela que deu à luz o Caminho que nos guia através das trevas e nos vale nos momentos de dor, sofrimento e desamparo.

 

Tudo para que se cumpra com zelo o que o próprio Cristo ordenou a São João apóstolo do alto da cruz: "Mulher, eis o teu Filho; filho, eis aí a tua mãe".

ORIGEM EM BELÉM - PARÁ

Uma graça deu origem à tradição do Cíno

O Círio de Nazaré saiu às ruas de Belém pela primeira vez em 1703, em agradecimento a uma graça alcançada.

 

O fidalgo português Francisco Coutinho, então governador, ficou impressionado com as crescentes romarias à ermida de Nossa Senhora e decidiu organizar uma festa pública para que todo o Pará tomasse conhecimento desse fenômeno de fé. Para atrair a população do interior, nada melhor que lhe organizar uma feira onde pudessem expor e colocar à venda os produtos de sua lavoura, nos mesmos dias em que participavam das celebrações religiosas em homenagem à Virgem de Nazaré. A feira e a romaria foram autorizadas pelas autoridades eclesiásticas e públicas da época, mas, às vésperas do dia programado para a procissão, o governador adoeceu. Condenado a não participar da festa, Francisco Coutinho prometeu, caso melhorasse, ir à ermida buscar a imagem da Virgem para levá-la até o Palácio do Governo, onde haveria missa. Em seguida, levaria a imagem de volta ao sítio de Nazaré em romaria. Graça alcançada, promessa cumprida. Assim conta-se a história de como começou uma das mais extraordinárias manifestações de fé cristã em todo o mundo.

 

Os costumes foram mudando e a procissão também foi se alterando. A princípio, não havia data fixa e o Círio podia acontecer em setembro, outubro e até em novembro. Só em 1901, o bispo Dom Francisco do Rego Maia fixou o segundo domingo de outubro como a data oficial do Círio. O local de saída da romaria também foi modificado. O Círio partia da capela do Palácio do Governo, mas, em 1882, o Bispo Dom Macedo Costa e o governador da província Justino Ferreira decidiram que a Catedral seria o local mais adequado para a saída da romaria.

 

Já em 1911, historiadores relatam que a semana anterior ao 2º domingo de outubro tinha sua rotina alterada. A população de Belém aumentava a olhos vistos. Nos vários portos da cidade, o burburinho de romeiros que desembarcavam de toda parte do Estado, transportando animais, frutas, legumes e votos de toda espécie para resgatar promessas e graças alcançadas era um sinal de que a cidade respirava um ar diferente. Os transportes estavam sempre lotados e, pelas ruas, havia um alvoroço festivo entre os transeuntes, não raro, carregando peças de cera, compradas para promessas.

 

O Círio passou a sair do então Instituto Gentil Bittencourt. Percorria ruas e avenidas até chegar à Sé. Por todo esse trajeto, as famílias cobriam as janelas de suas casas com toalhas de renda. Na Sé, os romeiros assistiam à missa, só depois, era feito um itinerário de volta à Basílica.

 

Nesse período, a procissão era anunciada pelo Carro Precursor e contava com cavalerianos cedidos pela guarda governamental. Havia também outros atrativos, que foram sendo retirados da procissão com o decorrer do tempo, como o barco de nome Chiquinha, no qual romeiros representavam homens salvos do mar graças à intervenção de Nossa Senhora. Havia também o Carro do Anjo Protetor, chamado Custódio, e o que representava o milagre de Dom Fuas Roupinho, a chamada Barca dos Milagres (um dos poucos carros mantidos até hoje na procissão); o Carro Triunfal; o pelotão dos Bombeiros e, finalmente, a Berlinda com a imagem da Virgem em destaque, acompanhada das bandas Luís de Camões e da Brigada Militar.

CÍRIO DE NAZARE

a história... a lenda...
Especialmente a fé
Mízar Klautau Bonna
Acontecimentos históricos descobrimos pesquisando livros e documentos do passado, buscando ainda nesse trabalho verificar se encaixam uns nos outros, os dados. Não é fácil pesquisar em Belém, mas um pouco de esforço e tempo, isso é possível. Para escrever sobre o Círio de Nazaré, necessitamos procurar na História do Pará, tanto politica como religiosa. Necessitamos também dar uma olhada na geografia e no social da época. Só assim as informações poderão se aproximar o máximo da verdade. Mesmo nos tempos atuais de tantos avanços tecnológicos, ainda podemos deparar com uma parede nos escondendo algo.

 

O Município de Belém ou seja a Cidade de Belém, fundada em 1616 para ser a capital da Provícia do Norte do Brasil, possui um tesouro inigualável que é a devoção do seu povo por Nossa Senhora de Nazaré. Uma devoção que cresceu muito, espalhou-se por todo o Brasil, e, hoje, conhecida já internacionalmente, coloca nas rua de Belém, no segundo domingo de outubro, uma multidão de um milhão e quinhentas mil pessoas. O Círio de Nazaré, em Nossa Belém, é a romaria religiosa mais extraordinária do Mundo!

 

E, essa multidão contrita, alegre, sofrida e festiva, reúne-se para acompanhar uma pequena imagem de Nossa Senhora de Nazaré, em sua Berlinda, entalhada em madeira de lei e folheada a ouro. O povo com devoção e muita fé, caminha captando e louvando, naquelas quatro horas de pensamentos voltados para a Mãe de Jesus, de mãos dadas, unido num só pensamento de paz, de amor, de pedido de perdão, de agradecimentos por graças alcançada e de muitas lágrimas pelas difuculdades do dia-a-dia.
O Círio é um costume português de levar uma imagem em peregrinação de uma aldeia para outra, e, no caso de Belém, é uma romaria de quatro quilômetros que leva a imagem de Nossa Senhora da Catedral de Belém, para a Basílica de Nazaré, onde ela é venerada o ano inteiro, na Glória do altar-mor.

 

Essa extraordinária devoção começou com o encontro da imagem, por Plácido José de Souza, que possuía um sítio na Estrada de Maranhão, hoje Avenida Magalhães Barata, no ano de 1700. A devoção cresceu e muitos fatos aconteceram, relacionados à pequena imagem de Nossa Senhora. Dom João Evangelista, nosso antigo bispo, dando maior apoio à devoção popular, fez pedidos ao Papa Pio VI, e à Rainha Maria I, de Portugal, para realizar uma festa pública segundo o ritual litúrgico, em louvor à Virgem de Nazaré. Eram necessárias tais licenças, para poder fazer a festa. Pedidos assim, feitos em cartas, transportadas em navios, levavam tempo para obter resposta. Frei Caetano Brandão, substituto de Dom João Evangelista, ratificou a solecitação do antecessor e, em setembro de 1790, as autorizações para realizar a festa chegaram. Nessa altura o bispado era ocupado por Dom Monteiro Noronha, que já aguardava Dom Manuel Almeida para substituí-lo.

 

Nesse mesmo ano de 1790, Francisco de Souza Coutinho, fidalgo português recém-chegado para exercer as funções de Capitão Geral do Rio Negro e do Grão Pará, visitando a Ermida de Nossa Senhora, entusiasmou-se e decidiu aumentar o brilho dos festejos que os devotos estavam programando realizar. Inventou de fazer uma grande Feira de produtos regionais, reunindo gente de vários lugares, e determinou que faria a inauguração da feira dia 8 de setembro de 1793. Tudo estava provindenciado para ser um sucesso!

 

Aconteceu que, algum meses antes do dia programado o fidalgo adoeceu. Naqueles tempos, as curas não se faziam rápidas. Preocupado de não poder inaugurar a feira, prometeu, se ficasse curado, fazer uma grande romaria de ação de graças. Levaria a imagem na vespera até o Palácio do Governo, e no dia seguinte, após missa rezada no Palácio, faria a imagem ser acompanhada por todos os funcionários e o povo em geral, até a Ermida de Nossa Senhora.

 

Assim aconteceu o Primeiro Círio no Estado do Pará.

 

Multidão imensa para aquela época, de 10.000 pessoas, brancos, cafuzos e índios, entre eles as autoridades civis e militares, esquadrões de cavalaria, batalhões de infantaria e piquetes de artilharia, acompanharam a imagem carregada pelo Capelão do Palácio, Pe. José Roiz de Moura, num palanquim azul, ladeado por uma guarda nobre e pelo Governador, D. Francisco, que portava uma grande vela, costume nos Círios de Portugal. O primeiro Círioo foi realizado numa quarta-feira, em horário vespertino, com muito círios acesos, pois o caminho aberto na mata até à Ermida era escuro. Nasceu assim o Círio de Nazaré, tradição que o povo paraense mantém viva já se vão dois seculos!

 

Até aqui a História com H.

 

Quanto à estória de que a imagem fugiu da casa de Plácido para o igarapé, e depois de Palácio onde estava com guardas, para retornar ao igarapé, ou seja do centro de Belém, para a periferia, é apenas Lenda. Afinal, se não existisse uma Lenda acompanhando a história dessa extraordinária devoção do povo paraense, a História não seria mais completa.

 

Todos os grandes acontecimentos do Mundo ganham do povo uma lenda, pois o povo contribui com suas pinceladas de fantasia, com o coração e a alma, tornando a História ainda mais interessante. Essa Lenda não poderia ser diferente, é multo bonita de ser contada e, parece ter sido Arthur Vianna quem primeiro a publicou nos jornais da cidade, com muita História... lenda... e o mais importante: Devoção e muita fé.
Isso mesmo! Dois séculos de Círio de Nossa Senhora de Nazaré, fazem de Belém, Capital do Pará, em cada segundo domingo de Outubro, a CAPITAL EXTRAORDINÁRIA DA FÉ!
CÍRIO DE MACAPÁ - AMAPÁ
Círio de Nossa Senhora de Nazaré na cidade de Macapá é simultâneo ao de Belém do Pará, sempre no 2º domingo de outubro. O intento desse evento religioso é consoante à tradição de homenagear, louvar e reverenciar Maria. A forma de realização da procissão macapaense também é fiel ao acontecimento de Belém, mesmo considerando-se algumas particularidades.

 

O Círio de Macapá tem início sempre num sábado, com uma carreata seguindo a imagem da Santa pelos bairros de Jesus de Nazaré, Laguinho, Pacoval, São Lázaro, Capilândia, Jardim Felicidade I e II e Brasil Novo. Em seguida, há missa e traslado da imagem da igreja Jesus de Nazaré para a de Nossa Senhora de Fátima, onde, no domingo, o dia mais esperado, outra missa dá início à festividade e precede a procissão, que arrasta pelas ruas de Macapá uma verdadeira corrente humana.

 

O Círio, a partir de então, é pontuado por terços da alvorada, missas, pregações, liturgia penitencial, que, juntos, integram o calendário litúrgico da festividade. Ao mesmo tempo, acontece o programa cultural, com direito à arraial na quadra da paróquia, com premiações, leilão e noite de animação. Nossa Senhora de Nazaré já tem seu templo e marca presença no coração dos macapaenses.

 


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Santa Rita
Macapá - Amapá

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