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O monge rico e o monge pobre

Numa cidade tinha dois mosteiros. Um era muito rico ao passo que o outro era paupérrimo. Certo dia, um dos monges pobres se apresentou ao mosteiro dos ricos para se despedir de um amigo monge que morava por lá.

Por algum tempo não vamos nos ver, amigo – disse o monge pobre – decidi partir para uma longa peregrinação e visitar os cem grandes santuários: rogo-lhe que me acompanhe com a sua oração porque terei que subir e descer montanhas perigosas e atravessar rios impetuosos.

– O que você leva consigo para enfrentar uma viagem tão longa e arriscada? – perguntou o monge rico.

Somente uma cuia para a água e um saquinho de arroz – sorriu o monge pobre.

O outro estranhou a resposta e olhou para ele com severidade:

Meu querido, você simplifica demais as coisas. Não pode ser tão incauto e desavisado. Eu também estou de partida para a peregrinação aos cem santuários, mas não viajarei antes de ter arrumado tudo o que poderá servir-me na viagem.

Um ano depois, o monge pobre voltou para casa e correu de pressa para visitar o amigo e lhe contar a grande e rica experiência espiritual, que tinha conseguido viver com a peregrinação. O monge rico escutou o amigo e, baixando os olhos, teve que confessar:

Infelizmente, eu ainda não terminei a minha preparação para a viagem.

A historinha fala por si. Tem “preparações” que nunca terminam. Tem pessoas que se preparam a vida toda, mas esta fase preparatória demora tanto que dificilmente chega a uma conclusão e elas mesmas acabam esquecendo o que queriam ser, não sabem mais para quê se prepararam tanto.  A preparação – é o que diz a própria palavra – é o que vem antes do evento: uma ação anterior. Contudo o momento mais importante é o evento, não a preparação. Um bom preparo fará de um jovem um bom profissional, mas se a preparação nunca acaba, talvez aquele jovem não chegue a ser o profissional que queria ser. Possuirá, provavelmente, muita teoria, mas nenhuma experiência prática.

O tempo do Advento é uma preparação que se encerra com o evento do Natal. Devemos nos preparar para viver plena e conscientemente a alegria do nascimento de Jesus. De outra forma, arriscamos continuar na expectativa; o Natal virá, passará e… Nos deixará indiferentes. Todo o ano, temos esta possibilidade: preparar-nos bem para que o Natal do Senhor não se apague junto com os pisca-piscas e as demais luminárias chamativas que enfeitam casas e ruas. Nada mais fácil. Não foi suficiente todo o Antigo Testamento e a pregação vigorosa de João Batista para garantir, diríamos hoje, o “sucesso” de Jesus. Verdade que Ele não buscava nada disso, mas a sua morte na cruz revela uma rejeição quase total. Digo quase porque alguns, poucos, resolveram, também naquele tempo, deixar tudo e segui-lo. Fugiram na hora da paixão, mas depois, com a força do Espírito Santo, venceram todo medo e covardia.

Apesar de todas as promessas e de todas as profecias, muitos ainda estavam equivocados sobre o Messias que devia chegar. Esperavam alguém rico e poderoso, que resolvesse na hora todos os seus problemas. Jesus veio pobre, humilde e sofredor; no entanto com as suas palavras e ações, mostrou o caminho para que nós aprendêssemos por nossa livre vontade a solucionar, fraternalmente, as questões que afligem a humanidade. Ele ensinou o caminho do amor. Com a sua ressurreição venceu a morte, para nos garantir que a vitória final será dele.

O menino deitado na manjedoura do Presépio é o mesmo Jesus das Bem-aventuranças e dos Ais, que perdoa à pecadora e expulsa os vendilhões do templo; que chama a Deus de Pai e nos convoca para a comunhão da partilha e da unidade. Os pobres foram os primeiros a encontrá-lo e a adorá-lo. A longa espera tinha chegado ao fim.

Preparai os caminhos do Senhor” grita João Batista. Preparemo-nos para acolher Jesus, desfazendo pré-conceitos e medos. Para a grande peregrinação da fé, não precisam muitas coisas: bastam a coragem da decisão e a leveza da liberdade. Para quem busca o Reino de Deus e a sua justiça, o resto lhe será dado por acréscimo (cf. Mt 6,33), como o monge pobre. O monge rico, pelo jeito, está ainda arrumando as malas.

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